
Eu ligava umas 3 vezes por dia. Não era bonito, mas tava longe de ser feio e me dedicava uma atenção como ninguém havia feito até então. Era um amor de pessoa, responsável, hiperconfiável, carinhoso, atencioso. Fomos nos aproximando cada vez mais e mais. Sentávamos juntos na aula, fazíamos as mesmas matérias, estávamos sempre juntos nos trabalhos de grupo, voltamos juntos da faculdade e íamos ao cinema juntos. Os pais deles gostavam de mim e eu dos pais deles, a namorada dele gostava de mim e eu dela, embora minhas amigas sempre o olhassem com desconfiança. Pois é, era um grande amigo, mas minha cabeça era algo bastante confuso
Com o tempo, percebi que eu estava sempre pra baixo, na deprê e dificilmente saía desse estado. Nossa relação foi se esgotando. Eu não dava espaço pra ele, e aos poucos, isso foi se tornando algo ruim. A atenção que ele dedicava a nossa amizade ia diminuindo. Depois de muito tempo, é que fui perceber que estava totalmente caída de amores. Demorou bastante, mas um dia falei tudo o que sentia e ele encarou aquilo com grande surpresa, não imaginava que eu no fundo, o amava. Parei pra pensar um pouco e me senti uma tonta por não ter percebido isso antes. Tava na cara e a sensação foi bastante dúbia: estar amando de verdade pela primeira vez era muito bom, a melhor sensação que já havia sentido nos meus 20 anos de idade à época, mas ao mesmo tempo me causava dor, pois pra ele, não íamos passar de grandes amigos.
Minhas amigas desconfiavam não dele, mas da nossa amizade, da nossa relação. Talvez todos, com um olhar de fora, vissem o que estava acontecendo, menos eu. Como eu era burra.
O pior e o grande erro: mesmo depois de perceber que absolutamente nada ia rolar entre nós, eu continuei na cola dele. Queria estar com ele, dividir as coisas com ele, que por sua vez, não rejeitou. Terminou o namoro uns meses depois. Será que eu teria uma chance? A resposta já estava dada. Nada ia rolar, e além disso a situação foi piorando. Ele estava solteiro, ou seja, estava livre pra ficar com quem quisesse. Não foram poucas as vezes em que voltei pra casa sofrendo, chorando, por ter visto ele beijar uma, duas ou quantas meninas fosse. Seria meu o problema? O que elas tinham que eu não tinha?
E aquela história de que amizade entre homem e mulher não existe...ela estava se invertendo, tínhamos trocado de papéis: era eu que não queria apenas amizade ao contrário dele. A confusão na minha cabeça durou muito tempo. E se existe um clichê que é bastante real é aquele que diz que é sofrendo que se aprende. O sofrimento fez com que me desprendesse bastante dos homens e deixasse de ser dependente. Sofri, aprendi, mas tenho de confessar: lá no fundinho, meu coração ainda bate um pouquinho por ele, e aí, como se sai dessa? Seria tão mais fácil não gostar dele.
P.S – ai...hoje eu to emotiva. Acabei de vê-lo com outra e não foi legal!